Realidades Cotidianas Complexas: Mulheres e Classe, por Hana Plant

O seguinte texto foi escrito por Hana Plant, militante do Beyond Resistance da Nova Zelândia, e publicado originalmente em inglês aqui. A tradução é de Alexandre Lemke.

Eu escrevo essa história para criar cone­xões entre luta de classes e femi­nismo, para que as vidas das mulheres traba­lha­doras sejam real­çadas, façam parte da estru­tura polí­tica. Para isso, eu preciso escrever de uma pers­pec­tiva pessoal/política. Para mim, o famoso ditado femi­nista “o pessoal é o polí­tico” não é tanto sobre mudar nossas próprias vidas para mudar o mundo, mas uma base teórica que reafirma o valor de nossas histó­rias e usa os padrões entre elas como base para soli­da­ri­e­dade. Isso cabe a muitas mulheres (não todas), porque muitas de nós fomos soci­a­li­zadas para focar no mundo do “privado”: o lar, as emoções, as rela­ções próximas. Ao mesmo tempo, porque nossos problemas não são vistos como válidos, eles são consi­de­rados da esfera privada. Então, histó­rias pessoais, quando combi­nadas, nos permitem, sem nos enver­go­nharmos, declarar a natu­reza cole­tiva de algo outrora consi­de­rado indi­vi­dual: o abuso domés­tico e a violência sexual são bons exem­plos. A beleza do caráter pessoal é que ele respeita nossa reali­dade única: nenhuma história é exata­mente igual a outra. Pelo que eu vejo, a maior parte da teori­zação de luta de classes não procura superar a divisão entre pessoal e polí­tico. Geral­mente, a lite­ra­tura e as discus­sões focadas na classe descrevem o domínio “público”: atua­li­dades, governo e economia mone­tária. Apesar de eu acre­ditar que essas coisas são impor­tantes, eu quero espaço para textos que reflitam as reali­dades das mulheres: o tipo de coisa que nos afeta, assim como nossa(s) formas(s) de rela­ci­o­na­mento. Então esta sou eu olhando duas das várias formas de rela­ções de poder — patri­ar­cado e capi­ta­lismo — de uma pers­pec­tiva pessoal/política.

No começo deste ano, algo acon­teceu que inter­rompeu a possi­bi­li­dade de me manter na luta de classes de uma forma direta. Meu pai e minha irmã de 10 anos vieram me visitar e eu vi, nova­mente, que ela estava sofrendo abuso. Minha irmã teve um começo difícil, foi reti­rada de sua mãe extre­ma­mente abusiva pelo CYFS1 posta sob a guarda do nosso pai. Ele, claro, também é abusivo, mas o CYFS, vendo que ela não está com marcas roxas no corpo, quer o caso encer­rado. Eu sei o que o meu pai faz há tempos. Estando longe, eu sei que não está sob meu controle. Mas quando eu vi ela na minha frente, o cabelo cheio de piolho, usando botas vulgares2 e aquele olhar ríspido e enrai­ve­cido nos olhos dela, eu queria salvar ela mais do que qual­quer outra cosia. Eu queria fazer ela usar sapatos de criança, para que o olhar burguês, o olhar mascu­lino, não a machu­casse. Eu queria catar os piolhos da cabeça dela para que ela não fosse caçoada na escola. Eu queria ter a força do vento para me colocar entre ela e ele. Esta é uma história do patri­ar­cado capi­ta­lista e do motivo de eu querer cons­truir a soli­da­ri­e­dade para mudá-lo.

Meu pai — que durante toda sua vida recebeu auxílio do governo — está próximo do fundo do poço do capi­ta­lismo. Ele também é um perpe­tu­ador do abuso (geral­mente físico e emoci­onal). Então a contra­dição entre femi­nismo e luta de classes é algo na qual eu fui criada: simpatia pela situ­ação de classe do meu pai, medo e ódio de sua miso­ginia. A ideia de que classe é mais impor­tante do que o femi­nismo ou vice-versa nunca me pareceu correta, apesar de ter seguido a prio­ri­dade dos outros de vez em quando. Entre os anar­quistas, essa prio­ri­zação ocorre mais na prática do que na teoria. Eu já fui isolada por falar de classe em círculos anarco-feministas onde o enten­di­mento comum era que toda opressão é inter­co­nec­tada. Da mesma forma, eu já fui silen­ciada em contextos de luta de classes onde o femi­nismo era posto como da maior impor­tância. Como nós vivemos em uma soci­e­dade capi­ta­lista patri­arcal, as contra­di­ções entre femi­nismo e luta de classes estão presentes nas vidas de todas as mulheres traba­lha­doras, de formas vari­adas. Eu conto uma história da classe baixa rural, onde a colisão de inte­resses entre homens e mulheres traba­lha­doras é dramática.

Meu Pai é um Pakeha3 de primeira geração filho de imigrantes, que, como a maioria da sua geração, sofreram com os traumas da Segunda Guerra Mundial. Como a maioria das mulheres de classe baixa, a Vó teve que traba­lhar tanto dentro quanto fora de casa. Ao contrário da maioria dos traba­lha­dores da época, essa família não deixou o rincão (Coro­mandel) para se juntar à migração urbana. Talvez por esse motivo o Pai não foi para a univer­si­dade gratuita para ter um trabalho de classe média como muitos de sua geração. Nem pegou algum dos poucos empregos para a classe traba­lha­dora que existem em Coro­mandel, onde você pode detonar as costas na fazenda de mexi­lhões ou sorrir para turistas em uma cafe­teria por um salário mínimo. Ao invés disso, ele se uniu a aqueles que foram deixados muito para trás vivendo de auxílio do governo, do apoio mútuo, da mata e do mar. O Pai é astuto o sufi­ci­ente pra saber que ser da força de trabalho local é uma porcaria para os traba­lha­dores “não quali­fi­cados”, que ele recebe o bene­fício não porque ele é pregui­çoso mas porque ele não quer ser esma­gado. Mas ele não aplica este conhe­ci­mento dentro de um contexto polí­tico onde ele pode resistir com os outros que estão no mesmo barco pois ele não tem acesso a um movi­mento que luta contra o capi­ta­lismo. Ao invés disso, ele se refugia numa comu­ni­dade de classe baixa onde existe uma cultura do faça você mesmo, resis­tência contra a polícia, e uma cultura de contação de histó­rias desen­vol­vida através de anos de fumo, pesca e bebendo xícaras de chá, tudo junto. Soa bem legal, né?

Essa comu­ni­dade está com raiva. Eles estão com raiva porque eles foram criados por pais e mães que estavam com raiva por causa da guerra. Eles estão com raiva porque eles não foram criados, como o restante dos baby boomers, para um estilo de vida acon­che­gante e um ambi­ente de pres­tígio. Eles estão com raiva porque apesar de traba­lharem o dia todo conser­tando carros, cozi­nhando, cuidando dos filhos e pescando, eles não são pagos. Eles estão com raiva porque eles pagam aluguel o ano todo e têm que se mudar no verão para que os propri­e­tá­rios hippies possam ter o lugar de volta para o Natal. Eles estão com raiva porque os únicos empregos dispo­ní­veis para eles são aqueles em que eles são pisados por aqueles que estão num lugar mais alto na hierar­quia, a mais-valia do trabalho deles expro­priada. Eles estão com raiva porque as outras únicas opções são o auxílio do governo e/ou o tráfico de drogas, para então eles serem criti­cados. Eles estão com raiva porque eles estão posi­ci­o­nados na beira da “soci­e­dade”, onde eles são evitados, igno­rados ou tratados com condescendência.

Esta é a história do patri­ar­cado. O patri­ar­cado diz aos homens dessa comu­ni­dade que receber auxílio é ser castrado, e não há nada pior que isso. O patri­ar­cado diz que uma boa forma dos homens sentirem sua mascu­li­ni­dade é contro­lando mulheres, que as mulheres existem para serem contro­ladas quando você não pode controlar mais nada. Então, comu­ni­dades como a do meu pai veem as mulheres e as crianças como cano de escape para sua dor e frus­tração. Essas comu­ni­dades empurram sua raiva para dentro de nossos corpos. Então, quando esses homens choram de culpa depois, o patri­ar­cado diz que as mulheres devem estar ali para compre­ender. O patri­ar­cado diz que nós temos que segurar a raiva deles e a nossa raiva em nossos corpos até nós entrarmos em colapso mental: e quando entramos em colapso o capi­ta­lismo patri­arcal nos chama de loucas (e não há nada pior que isso). O patri­ar­cado diz que os homens devem apoiar uns aos outros. Então, a soli­da­ri­e­dade é prati­cada somente entre homens. Eles ficam dizendo um para o outro que fizeram a coisa certa, que a mulher é uma puta, que a criança é uma pirralha mimada. Eles ficam dizendo um para o outro que eles fazem tudo: pegam o peixe, trazem o dinheiro extra, arrumam o carro, que as mulheres e as crianças deve­riam apenas ficar agradecidas.

Enquanto o capi­ta­lismo cria uma soci­e­dade que causa raiva e dor, a ideo­logia capi­ta­lista nos diz que são esses homens que criaram todos estes problemas, que esses homens são os piores homens. Seus crimes devem ser tornados públicos, virar motivo de piadas e conde­nados, enquanto os crimes das classes domi­nante e média são mantidos em segredo. E o capi­ta­lismo patri­arcal nos diz que as mulheres são ainda piores. Elas não são mulheres de verdade porque elas não protegem suas crianças. Elas são estú­pidas por esco­lherem estar com homens como esse quando há muito mais peixes no mar, mas elas nunca pode­riam arranjar um bom homem porque a aparência delas é um lixo. Elas estão com raiva porque de vez em quando elas entram em colapso.

Apesar de ser fácil para homens de esquerda dizerem que a classe domi­nante causa todos os problemas, a maioria das mulheres sabe que isso não é verdade. A classe domi­nante mexe os pauzi­nhos, mas ela não nos toca. Eu ainda não ouvi as pala­vras deles partirem meu coração, nem senti seus punhos no meu corpo nem os vi chutarem o cachorro pra caralho. A classe domi­nante é parte do problema, mas ela não é a única que ganha algo do patriarcado.

Apesar de ser fácil para femi­nistas e pró-feministas dizerem que esses homens deve­riam ser mandados à merda, a maioria de nós que esti­vemos à mercê deles não acha assim tão fácil. Para nós, não há tanto peixe no mar, porque nós temos cica­trizes que espanta a maioria dos “caras (ou garotas) legais”. A maioria de nós ama nossas comu­ni­dades e nos senti­ríamos abso­lu­ta­mente deslo­cadas se partís­semos. Nós talvez tenhamos que ir embora para estarmos seguras, talvez quei­ramos nos armar com uma análise do patri­ar­cado, mas isso não signi­fica que nós queremos que estes homens sejam chamados de irre­me­diá­veis, estú­pidos ou malvados (a não ser que sejamos nós a nomear eles assim). Nós compar­ti­lhamos inte­resses de classe não somente com meu pai, eu também me iden­ti­fico com aqueles que ele abusa: mulheres, crianças, cachorros. Se eu me afasto dele, não é somente violência domés­tica que deixo para trás.

Quando olho para os olhos da minha irmã, eu quero deses­pe­ra­da­mente salvá-la. Então, eu fiz um acordo com meu pai. Eu disse que ela poderia ficar comigo enquanto ele procu­rasse uma casa por perto. Ele ficou feliz. Eu poderia fazer todo o trabalho enquanto ele ainda tinha todo o controle, por isso, ele não foi real­mente procurar uma casa. Claro, foi uma grande chance de ele fazer da minha vida um inferno. Eu me tornei como uma ex para as crianças: uma mulher para ferir ao ferir a criança. Ele vinha quase toda tarde para me provocar, sabendo que eu não mandaria ele se ferrar porque ele faria um escân­dalo que culmi­naria na minha irmã sendo levada embora como um prêmio. Então eu me mantive calada até não poder mais dormir ou estudar ou escrever o artigo sobre mulheres e classe que eu plane­java para a revista AWSM. Quando eu final­mente mandei ele se foder, sabia que ele a levaria embora. Ele tinha que mostrar que estava no controle. Ele não encon­trou uma casa por perto, ao invés disso ele a levou de volta para o inte­rior (Mataura, desta vez), onde ela sofre bullying na escola e sofre em casa, onde não há uma irmã mais velha com quem conversar. Enquanto isso, a pressão atinge os que recebem auxílio do governo, há corte de verbas para apoio peda­gó­gico nas escolas, há menos dinheiro para abrigos femi­ninos e propa­gandas gover­na­men­tais dizem para os homens manterem o controle que só um homem pode ter4.

Foi somente agora, depois de seis meses, que eu me pergunto por que esta expe­ri­ência, um ótimo exemplo do patri­ar­cado capi­ta­lista, me pareceu tão irre­le­vante para minha prática polí­tica. A resposta é que esse tipo de coisa é muito pessoal para um movi­mento de luta de classes que reflete majo­ri­ta­ri­a­mente a reali­dade dos homens e muito intensa para círculos femi­nistas que refletem majo­ri­ta­ri­a­mente a reali­dade das mulheres de classe média. Se os dois movi­mentos fossem mais bem ligados, seria mais fácil para pessoas como eu, que precisam tanto da luta de classes quanto do femi­nismo para enfrentar a vida, lutarem. Eu gostaria com paixão que exis­tisse comu­ni­dades de resis­tência que tivessem tanto a luta de classes e o femi­nismo no coração. Tais comu­ni­dades enten­de­riam meu pai não como o pior tipo de homem nem como um herói da classe traba­lha­dora. Ao invés disso, eles o olha­riam como um sobre­vi­vente do pior do capi­ta­lismo, para quem é mais fácil aliviar sua dor em mulheres e crianças. Em comu­ni­dades como essas, nós pode­ríamos manter uma análise de poder que permi­tisse comple­xi­dade. Não haveria neces­si­dade de escolher.

Para irmos nessa direção, penso que a luta de classes e o femi­nismo devem se conhecer melhor do que nunca (eles vêm se tocando nos últimos séculos). Eu não digo que todas as mulheres devem se juntar ao grupo de luta de classes local, apesar de pensar que preci­samos de orga­ni­za­ções femi­nistas onde há compro­me­ti­mento e estra­tégia. Eu penso que nós (espe­ci­al­mente femi­nistas anar­quistas que são teori­ca­mente anti­ca­pi­ta­listas) preci­samos olhar para como a classe nos afeta a todas, e nos afeta de formas dife­rentes. Nós preci­samos parti­lhar nossa miríade de expe­ri­ên­cias e não dimi­nuir, excluir ou temer umas às outras. Existe uma tendência entre mulheres anar­quistas a se conten­tarem a estar em reação à luta de classes. Ainda assim as mulheres são majo­ri­ta­ri­a­mente afetadas pela classe e, se nós nos impor­tamos com nós mesmas e com as outras, então nós temos que ter uma estra­tégia que reflita este fato. Final­mente, nós preci­samos parar com o critério indi­vi­dual para ser uma anarquista-feminista propri­a­mente dita, como, por exemplo, ter que ser vegana, queer ou saber falar algum tipo de linguagem “radical”. E que tal se ao invés disso nós medirmos auten­ti­ci­dade pelo nosso desejo de solidariedade?

Grupos de luta de classes precisam olhar para o pessoal com mais atenção. O pessoal é um jeito dinâ­mico e aces­sível de testar teoria de luta de classes em nossa vida coti­diana: no local de trabalho, na casa, na comu­ni­dade. Nós não deve­ríamos nos contentar em sermos uma reação a “polí­tica de iden­ti­dade” ou em sermos pessoas que têm um “olhar para o íntimo”. Quando usamos estas pala­vras, o que nós dizemos? Nós estamos criti­cando a ideia de que é possível mudar o poder estru­tural ao atingir pureza em nós mesmos? Ou estamos dizendo que luta de classes apenas é a única forma de mudar alguma coisa? Nós fazemos crítica para abrir diálogos ou para fechá-los? Parte do problema é que a práxis da luta de classes é muito divor­ciada das formas holís­ticas de teori­zação e, portanto, não aceita os múlti­plos níveis em que o patri­ar­cado (ou classe, no caso) precisa ser enfren­tado. Classe, como gênero, é mantido por uma série de meca­nismos, desde estru­turas econô­micas nas quais estamos imersos, passando pela soci­a­li­zação e pela exclusão social. Há muitas histó­rias que precisam ser contadas. Logo, vamos deixar de criar uma cultura de macho onde nós olhamos apenas para o que o status quo define como público ou mate­rial, o que nos leva a deixarmos de lado as expe­ri­ên­cias das mulheres, que são geral­mente consi­de­radas como assuntos privados ou “cultu­rais”. Vamos dar forma e voz ao femi­nismo, não apenas no sentido de “não faça mal”, mas ativa­mente conec­tando classe e gênero e nesse processo refle­tindo os inte­resses das mulheres da classe trabalhadora.

Meu pai e minha irmã apare­ceram nova­mente outro dia. De vez em quando ele a deixa comigo quando vem para a cidade, não porque é bom para ela ver a irmã mais velha, mas porque ele a quer longe dele. Eu tento vê-la nos olhos mesmo que não possa salvá-la. Eu a ouço contando que sofre bullying (e comete bullying) na escola, e também mais caute­lo­sa­mente que sofre bullying em casa. Eu faço com que ela entenda que eu sei como é receber a raiva do nosso pai, e amá-lo mesmo assim. Eu faço com que ela entenda que não é ok, que não é culpa dela. Nós falamos dos cachorros, como está o carro e qual dos amigos sujos do Pai ela mais odeia. Repe­tindo as pala­vras de uma mulher sábia quando eu era uma garo­tinha, eu a faço lembrar de que ela é forte, que ela tem que ouvir sua intuição. Eu me lembro que minha preo­cu­pação com as botas vulgares numa menina de 10 anos é majo­ri­ta­ri­a­mente clas­si­cismo inter­na­li­zado: foda-se o olhar patri­arcal! Foda-se o olhar burguês! Eu cato os piolhos do cabelo dela e leio uma história de dormir para ela. Eu me faço lembrar que isto faz diferença.

Quando meu pai e minha irmã aparecem na minha porta eles repre­sentam uma mudança política/pessoal. Como eu lido com a reali­dade do patri­ar­cado e do capi­ta­lismo sem deixar que eles me destruam? Como nós lidamos como rela­ções complexas de soli­da­ri­e­dade e conflito? Geral­mente, a natu­reza “intensa” e “privada” das minhas expe­ri­ên­cias signi­fica que eu tenho que me afastar do polí­tico porque a natu­reza cole­tiva das lutas da mulher traba­lha­dora ainda não foi publi­ca­mente reivin­di­cada. Nós temos muitas histó­rias pra contar antes disso ser possível. Então, eu olho para o íntimo: eu procuro amigas que têm histó­rias pare­cidas, eu releio livros de mulheres que não estão cagando e andando para classe e femi­nismo. Eu faço isso para lembrar que nós (eu e ela) não estamos sozi­nhas, mas somos parte de um padrão de resis­tência. Ser traba­lha­dora e mulher signi­fica, neces­sa­ri­a­mente, que nós toca­remos em lutas que são consi­de­radas como “problema seu”5 e essa priva­ti­zação do que é na verdade uma expe­ri­ência cole­tiva nos faz pensar que estamos sozi­nhas e inde­fesas e portanto não temos outra opção que não seja nos render. Daí, nós temos que nos lembrar que nossas histó­rias não são desvios do polí­tico, mas mais mate­rial para o padrão de soli­da­ri­e­dade e resis­tência que estamos criando.

  1. Corres­pon­dente ao conselho tutelar na Nova Zelândia.
  2. “[F]uck-me boots” no original.
  3. Pakeha, adje­tivo não-pejorativo usado para designar brancos que nasceram na Nova Zelândia.
  4. Mantrol, no original, é um neolo­gismo criado em uma campanha do governo da Nova Zelândia contra acidentes no trân­sito. É uma amál­gama das pala­vras man, homem, e control, controle. A ideia é que ter auto­con­trole é uma carac­te­rís­tica “de macho”.
  5. “[T]oo much infor­ma­tion”, no original.

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