Comentário sobre o Rio Doce e o crime ambiental da Samarco/Vale/BHP

Ontem a televisão estava ligada passando uma reportagem sobre o crime ambiental da Samarco/Vale/BHP. Eu estava no computador, sem prestar atenção, até que um pescador ribeirinho do Rio Doce – agora destruído pela lama contaminada – começou a cantarolar na entrevista “oh meu rio doce, doce são os seios, da morena flor…” Me arrepiei.

Por alguma coincidência do destino, ouço essa música desde que era criança em Jaguaruna/SC, uma das mais tocadas no som do meu pai, que nunca foi mineiro mas também “levou sua mocidade pras velhas cidades e praias do sul”.

Eu não tinha percebido ainda que era o mesmo rio. E não é só isso. O Rio Doce é uma influência direta por trás do Clube da Esquina também, cantado em “Canoa, canoa” e vários outros clássicos da música brasileira.

Se a morte do rio que eu só conhecia pelo ouvido já me jogou pra baixo, nem consigo pensar o siginificado para quem cresceu nele, quem viveu dele, de quem foi Rio Doce.

A devastação não é só ambiental, é também cultural, histórica, espiritual. Esse sistema podre de espoliação da natureza, de sugar nosso trabalho, esse capitalismo que nunca será verde, não tem nenhuma consideração com a gente. A gente também não deve ter nenhum compromisso com ele. Que seja varrido por completo.

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