A agenda de retrocessos vai tornar o país ingovernável, lutaremos até fazer os de cima pedirem por “Eleições Gerais”

Mais de 80% da população desaprova o governo Temer. Cunha (que é Temer) foi cassado. Houve manifestações diárias pelo país desde que ele assumiu. Tem uma greve geral marcada para o dia 22/09 – embora seja apenas paralisação de um dia e pouco articulada por enquanto, é uma primeira ação no lento movimento sindical.

Ao mesmo tempo, a capa da Veja dessa semana acusa o Governo de frear a Lava Jato – a novidade não é o intuito óbvio do PMDB, mas a disposição da revista mais reacionária do País em denunciar isso. Os setores mais radicais entre os ultra-liberais já largaram a defesa de Temer, como deixou claro (de forma vergonhosa) o Instituto Liberal de São Paulo, que o chamou de “mais um comunista”.

Temer pode manejar o apoio do “baixo clero” na Câmara e no Senado com favores políticos espúrios, mas os verdadeiros donos do capital não são subornados com migalhas. O presidente golpista só será mantido no poder na medida em que cumprir a promessa de cortar direitos trabalhistas e políticas sociais. É isso que seu governo significa.

Se Temer falha nessa tarefa, ele será jogado fora. O capital não precisa de um ou outro governante, ele precisa do ajuste fiscal. Já é possível ver contornos da linha que esses setores defenderão: críticas à crise econômica, críticas ao Temer, mas apontando a flexibilização e os cortes como a solução. Essa é a essência que eles não podem jogar fora. Temer é só fachada.

Nossa verdadeira batalha é defender que as medidas neoliberais não passarão de forma alguma, seja quem estiver na presidência. O primeiro passo é tornar o país ingovernável para esse golpista, radicalizar os atos, pipocar ocupações e greves por todo canto. Quando o povo tiver colocado seu peso através da ação direta, impedindo as propostas de Temer, as “Eleições Gerais” serão a forma que os de cima terão para tentar pacificar o país. Para nós, qualquer pacificação nesse momento significará forte perda de direitos.

É por isso que discordo do chamado por “Eleições Gerais” em nossos atos e defendo “Nenhum Direito a Menos”, “Rumo à Greve Geral”, “Pelo Poder Popular”, “Só a Luta Popular Decide”, qualquer chamado que aponte para a força dos setores oprimidos, não para mecanismos de forjar consenso, legitimidade e apassivamento como são as eleições.

O golpe aos direitos sociais só se derruba nas ruas, não nas urnas. Mesmo que essa plataforma perca mais uma vez as eleições, como Aécio perdeu, ela continuará com risco de ser implementada – assim como Dilma a vinha aplicando (mais timidamente, é claro). Por mais boa vontade que exista, nenhum governo é capaz de impedir os ataques aos direitos por si só. A única forma de fazer isso é na correlação de forças, com povo organizado na rua.

Manifestação em Florianópolis pelo Fora Temer e Nenhum Direito a Menos, setembro de 2016.

Manifestação em Florianópolis pelo Fora Temer e Nenhum Direito a Menos, 12 de setembro de 2016.

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