Proposta de Congresso do Centro Acadêmico de Biologia UFSC

O texto abaixo foi publicado em 30 de junho de 2016 no grupo interno de facebook do Centro Acadêmico de Biologia – UFSC. Como gostei da proposta, coloco ela aqui publicamente, quem sabe interesse a outros Centros Acadêmicos, em especial aqueles autogestionados. Esse comentário surgiu após uma longa discussão sobre uma decisão que havia sido contestada por sobrepôr acordos prévios do CA a respeito do uso do espaço físico.



Oi gente. Só estou fazendo uma disciplina, vou uma vez por semana pra UFSC, não tenho como ir nas reuniões do CA nem construir nada que eu vou propôr. Só pra deixar isso claro.

Eu venho alimentando um sonho, desenvolvendo ele, agora acho que chegou a hora de sugerir. Vai ser só uma sugestão, porque é isso que eu consigo fazer. (Tem a ver com essa discussão aqui.)

1. Quem disputa eleições para DCE ou Centros Acadêmicos costuma justificar esse esforço com o argumento de que “é um bom momento para fazer discussão política”. Eu acho que esse argumento tem fundamento.

2. Nosso modelo de autogestão tem sido interpretado muitas vezes como “cada um faz o que quiser”. Eu não acho que seja isso, mas eu entendo que essa impressão não vem à toa. Durante muitos anos, participei do CA e me envolvi em coisas através do CA sem ter apoio ou mesmo acordo com outras pessoas que frequentavam as reuniões.

3. A situação “2” é positiva porque permite um CA amplo, onde junta vários interesses distintos: quem quer organizar Bio na Rua organiza, quem quer participar do Conselho participa, quem quer pensar a calourada pensa, quem quer ir pra Ponta do Coral vai, etc.

4. Porém, a situação “2” é ruim porque pode criar um CA sem identidade, sem posições coletivas e, consequentemente, um espaço de representação individual e não coletiva.

Exposto esse problema, surge a pergunta: de que forma o CA pode tomar decisões e expressar opiniões de forma mais legítima, representativa e confiável? E de que forma podemos discutir e aprender juntos para chegar nessas posições?

Eu pensei no seguinte modelo.

5. O CABio continua sendo uma autogestão, sem eleições, reuniões abertas, decisões em reunião (pra mim não deveria precisar de consenso, só maioria de votos, mas não quero comprar essa discussão agora).

6. Porém, periodicamente (sugiro uma vez por ano), se organize um “Congresso do CABio”, um espaço de assembleia amplamente divulgado, com antecedência, realizado num horário acessível, onde se votem TESES para o CA.

7. O que são teses? São propostas. “Por motivos A, B e C, o CA é favorável à terceirização do RU”. “Por motivos D, E, e F, o CA é contrário à presença da PM no Campus”. “Pelos motivos G, H, e I, o CA é contrário a emprestar o espaço para festas de outros cursos”. “Por motivos J, K e L, o CA defende a realização de avaliação docente independente feita por estudantes”. Etc, etc.

8. Algumas teses seriam contraditórias umas com as outras, se tudo der certo. Todas elas são apresentadas em site, grupo de facebook, etc, e existe um debate público. “Eu acho a tese 22 um absurdo, vamos lá no Congresso votar contra”, etc. Levamos tudo pro Congresso e votamos.

9. Ao final do processo, a gente teria algo similar a um “programa de chapa eleitoral”, mas discutido abertamente e aprovado pela maioria em assembleia. Isso iria reger as ações do Centro Acadêmico pelo período.

10. Seria necessário um prazo para construção das teses, depois um prazo para veicular essas teses e elas serem debatidas pelas pessoas, depois uma divulgação e registro das teses adotadas. Ou seja, isso envolve uma comissão organizadora do Congresso, que estabeleça datas, faça divulgação, organize a assembleia, etc.

11. É necessário também recuperar o Estatuto do CABio ou, melhor, escrever um Estatuto novo, que explique o funcionamento da entidade, que fale sobre instâncias de decisão, quórum, etc e que seja aprovado em Assembleia com muita gente. Poderia ser votado junto no primeiro Congresso.

Por que fazer tudo isso? Meu motivo principal para essa proposta é que eu acho que vai propiciar muito debate e discussão saudável e interessante no curso. Outros motivos são mobilizar mais pessoas pra participar do CA e dar mais legitimidade institucional pras nossas opiniões.

Que tal?

Anúncios

A reforma trabalhista passou

Texto publicado no facebook algumas horas depois da aprovação da reforma trabalhista no Senado, em 11/07/17.

A reforma trabalhista passou. Tem momento para o choro, o cansaço e a desilusão, sim, porque somos humanos.

Mas é necessário dizer para os milionários que apoiaram essa merda (e aos milionários que votaram nela) que não vai ter paz. Justamente porque somos humanos. Se vocês não conseguirem fugir para outro país, estejam preparados para o que é capaz de fazer quem passa fome, quem tá desempregado, quem está desesperado. Não vai ser bonito. Não vai ter segurança para nenhum de vocês aqui.

É necessário também falar às nossas e aos nossos. Companheira, companheiro, a luta não acabou. Justamente porque somos humanos. Nenhuma opressão vai passar impune para sempre. Quem vê os seus morrendo, passando fome, sendo explorado até a última gota, vai tremer de indignação, assim como você já sentiu muitas vezes.

Pode chamar de raiva, de dignidade, de rebeldia, de amor: é um pouco de tudo isso. É lei da ação e reação, é instinto de sobrevivência. Mas, principalmente, é a matéria-prima da resistência que vai ressurgir. Da mesma forma que surgiu em cada canto desse mundo, em cada episódio histórico onde pisaram nos de baixo. Nenhum império durou para sempre.

É nossa tarefa, a partir de hoje, a construção de respostas coletivas e libertárias às nossas necessidades. Tarefa de contribuir para a confluência das rebeldias que certamente virão.

Que essa resistência surja do sangue quente, como tem que ser, mas que surja também com o aprendizado dos erros que nos trouxeram a essa situação. Até agora, sobrou gente pensando nas eleições e nos acordões, mas faltou gente cerrando os punhos de verdade contra as reformas. Daqui pra frente, não pode mais ter conciliação. Seremos ingovernáveis.