EREB Sul 2002: Declaração de Independência do Lami

O texto abaixo foi encontrado nos arquivos do Centro Acadêmico de Biologia da UFSC; a versão original está linkada ao fim. A declaração foi escrita no Encontro Regional de Estudantes de Biologia Sul de 2002, que aconteceu no bairro do Lami, em Porto Alegre (RS). Há mais informações e fotos sobre esse encontro aqui.


Não lutaremos contra um modelo mas sim a favor de outro.
Não teremos forças armadas, nem bandeira, nem fronteira, por que não queremos um Estado.
Desta forma não teremos direita, por que não teremos esquerda.
Falaremos todas as línguas que pudermos aprender e respeitaremos todas as religiões.
Lutaremos para viver em harmonia com o meio ambiente e para resolver nossos conflitos internos pacificamente, construindo consensos.
A prioridade das prioridade será a educação. Criaremos escolas abertas e a Universidade Autônoma do Lami, onde não será precisa prestar vestibular e os pescadores artesanais, agricultores ecologistas e erveiras é que serão os professores.
Não teremos políticos porque nunca haverá uma eleição.
Não teremos guerras, porque não teremos armas.
Não teremos pobres, porque não haverá ricos.
Não teremos desempregados, porque ninguém será empregado.
Não teremos carros, porque andaremos de bicicleta, de barco, de ônibus…
Não teremos celulares porque não queremos antenas nos nossos morros.
Não teremos farmácias, porque usaremos as ervas e a alimentação orgânica.
Não teremos bancos porque nossa economia se baseará em trocas e quase não usaremos o dinheiro.
Não teremos presídios porque não haverá nem leis, nem criminosos (construiremos acordos por consenso, que serão compreendidos e cumpridos por todos).
Não teremos hospícios porque somos todos loucos.
Não teremos lixão porque reduziremos, reutilizaremos e reciclaremos nosso “lixo”.
Não teremos televisores porque assistiremos as fogueiras e as estrelas.
Não teremos crianças abandonadas porque teremos muito amor.
Não teremos pressa porque queremos apreciar a vida.
Não teremos velório porque morreremos de rir.

Declaração de Independência do Lami, 1º de abril de 2002.

Documento original

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Relato do EREB Sul de 1836, em Manufaturé

Recentemente, estávamos lembrando de histórias do Movimento Estudantil da Biologia e resgatamos o texto abaixo. Na construção do Encontro Regional de Estudantes de Biologia Sul, que seria em Maquiné (RS), estava proposto um espaço para carnear um boi. Após algumas pessoas levantarem críticas ao ritual, porque não queriam financiar ou apoiar a morte do animal, respostas muito mal-educadas apareceram e motivaram a escrita dessa piada. Isso aconteceu no final de 2012 e pode ser conferido aqui.

O ano é 1836, um dos primeiros encontros de estudantes de biologia que se tem notícia na região sul, que ocorre na cidade de Manufaturé.

A maioria dos estudantes conseguira, junto a suas Universidades, charretes para chegar à cidade, mas um bravo grupo de algumas dezenas, partindo da cidade de Florianópolis, vai de bicicleta.

Os prestativos e amorosos organizadores do EREB mandam a todas as escolas, por barcos ou jegues, uma carta escrita à pena donde consta a programação do encontro. Uma nota de rodapé avisa: “Excelepmtíssymos Srs., inphormamos que não será necepssário si preocupar com os aphazeres, uma vez que seremos todos servidos por escravos da mais phina quallidade”.

Cerca de 2 meses após o envio da carta surge outra, desta vez trazida por um pombo correio que visita todas as cidades com cursos de Biologia, e questiona a presença dos escravos no encontro.

Após muitas discussões, a resposta é a seguinte: “Apóz muitas dyscussões, decipdimos manter tal posição, que poderá servvir para qüestionar em todos suas aptitudez. Além disso, i) os escravos phazem parte essensial de nossa cultura há séculos, ii) a mayoría dos estudantes também tem seus escravos, iii) não há ouptra maneyra de realizar o encontro, uma ves que várias phunções braçais são essenciais, iv) os escravos já eram escravos cuando os contrátamos para nosso evempto, e assim continuariam, e v) os que são contra a escravidão têm todo direyto de não usar delles, resppeitamos todos os caprichos, já que somos todos estudantes de Biologya”.

Naquele ano a decisão prevaleceu. No entanto, dentro de menos de uma geração de EREBs-sul, a escravidão foi abolida nos encontros, dando grande impulso à luta antiescravagista ainda no Brasil Imperial.

Referências Bibliográfica:

SAALFELD, K. O Movimento Estudantil da Biologia. 1894. EdUFSC. Florianópolis. In: Memórias de meus primeiros anos como professor.